Filme da semana
Pro primeiro post do ano, resolvi trazer um filme bem interessante que já estava querendo ver há muito tempo e gostei muito
Sombra do Vampiro (Shadow of the Vampire, 2000)
A história acompanha a produção de um filme que inicialmente seria Drácula, mas que acabou tendo que mudar por causa de problemas com direitos autorais. Para contornar isso, o diretor F. W. Murnau alterou o nome do vampiro para Conde Orlok, manteve a história praticamente igual e rebatizou o filme como Nosferatu. O papel principal ficou por conta do “ator” Max Schreck, vivido pelo glorioso Willem Dafoe (o tal do duende verde), em uma atuação tão intensa que ele parece viver como vampiro o tempo todo, mesmo quando as câmeras estão desligadas..
Uma curiosidade legal é que, se você já viu o Nosferatu original, vai reconhecer muita coisa aqui de cara. A história segue praticamente o mesmo caminho, com personagens e acontecimentos bem parecidos, o que deixa claro que o filme não faz muita questão de esconder sua origem.
Com o tempo, esse comportamento começa a incomodar a equipe. Schreck é estranho, reservado e causa um desconforto constante em todos ao redor. Aos poucos, fica claro que ele só aceitou participar do filme após um acordo perturbador: ao final das gravações, teria o direito de possuir Greta, a atriz principal. Esse pacto silencioso deixa o clima no set ainda mais pesado e reforça a sensação de que há algo muito errado por trás daquela atuação, que, para muitos, está entre as melhores e mais marcantes de toda a carreira de Dafoe.
Conforme as gravações vão avançando, a presença de Max Schreck começa a incomodar cada vez mais quem está ao redor. Ele evita contato com a equipe, quase não fala com ninguém e parece nunca sair do personagem. Aos poucos, fica difícil saber se aquilo tudo ainda é atuação ou se existe algo realmente estranho por trás daquele comportamento.
Ao mesmo tempo, o diretor F. W. Murnau se mostra totalmente obcecado pelo filme. Ele ignora os alertas da equipe e aceita qualquer situação desde que a obra siga em frente. Para ele, tudo é válido em nome da arte, mesmo quando as coisas começam a sair do controle. Isso faz com que o clima no set fique cada vez mais pesado e tenso.
E aí, o que acontece? [SPOILERS DAQUI PRA FRENTE]
No final, o filme para de fingir e entrega de vez aquilo que já vinha deixando claro desde o começo: Max Schreck não é só um ator estranho — o cara é um vampiro de verdade. E o mais bizarro de tudo é perceber que Murnau sempre soube disso. Desde o início, ele aceita o acordo porque enxerga ali a chance de criar uma obra imortal, custe o que custar.
Quando o pacto chega ao fim, aí a maionese desanda de vez. Schreck começa a atacar os atores e membros da equipe, tudo de forma completamente explícita, e o mais perturbador é que o diretor não manda parar. Pelo contrário: ele continua filmando tudo, mesmo enquanto pessoas estão sendo atacadas e mortas ali na frente da câmera. Para ele, aquilo não é um massacre, é o filme finalmente atingindo a perfeição que ele tanto buscava.
O cinema, nesse ponto, deixa de ser apenas cenário e vira parte direta do horror. O filme termina deixando uma sensação pesada, dessas que não saem fácil da cabeça. Não é só um filme sobre vampiros, mas, principalmente, sobre até onde alguém está disposto a ir em nome da arte. No fim das contas, o vampiro pode até estar em cena, mas o verdadeiro monstro talvez seja quem escolhe continuar filmando enquanto tudo desmorona ao redor.
Encontrei esse filme nos Gatoflix da vida aí, e minha nota pra essa belíssima película foi 8.0/10. Feliz ano novo, e espero que esse ano venham mais filmes malucos como esse :)